Aula 21 – Discursos do corpo nas artes contemporâneas: contracultura, androginia, feminismo. Performance. Corpo e sensorialidade.

“Nostalgia do corpo”, de Lygia Clark

A partir da década de 60, a questão do corpo como uma instância central da experiência ocidental passa a ser um tema bastante explorados pelas artes em geral. Podemos encontrar ecos desse pensamento no campo da filosofia, em especial no pensamento de Michel Foucault, que em sua “História da Sexualidade”(em 3 volumes publicados entre 1976 e 1984), afirma ser o corpo como um dos lugares centrais de definição do sujeito e das relações de poder nas sociedades modernas. Também vemos a popularização dos estudos do corpo na psicanálise, a partir dos livros publicados por Reich ainda nas décadas de 40 e 50. E ainda a consolidação do campo da sexologia, centrada nos estudos do comportamento sexual humano, em especial popularizada pelos best-sellers escritos por Kinsey (nos anos 40-50), acerca do comportamento masculino e da resposta feminista nos relatórios (também best-sellers) publicados por Shere Hite nos anos 70.

Hair, filme de Milos Forman (1979)

Aliás, uma forte revolução de costumes e posturas acerca dos campos de gênero e sexualidade começa a tomar corpo no período, eclodindo com força na segunda metade dos anos 60: é a época da revolução sexual, e de movimentos militantes feministas e gays, bem como os movimentos contestatórios de contracultura, bastante populares entre a juventude (como o movimento Hippie) e até mesmo a ascensão de astros pop que flertavam abertamente com a androginia.

David Bowie

Androginia, feminismo, revolução de costumes sexuais… uma vontade de “libertar” o corpo das convenções sociais não só irá encontrar repercussão na cultura de massa, mas também nas artes visuais (em especial na performance e na fotografia), no cinema, na música, na literatura. Essa investigação acerca da dimensão corporal será estudada, nesta aula, na obra de diversos artistas, desde a pintura (Francis Bacon, Lucien Freud), e o cinema (em especial Hair e Rocky Horror picture show), aos trabalhos sensoriais de Lygia Clark e às performances de Marina Abramovic (lembremos que a performance é uma modalidade artística que utiliza o próprio corpo do artista – e por vezes o do espectador – que se torna bastante popular a partir da década de 60). Aliás, o uso do corpo nas artes muitas vezes passa por um forte viés político e contestatório.

Marina Abramovic

Daremos foco também a outras mulheres artistas, que surgem a partir dos anos 70/80/90, e que elegem o corpo como aspecto central de suas obras, como Rebecca Horn, Cindy Sherman, Nazareth Pacheco, Adriana Varejão, entre outras.

Rebecca Horn

Textos: capítulo introdutório do livro “Performance nas artes visuais”(Regina Melim) e “A ascensão de um poder jovem” (do livro “O que é contracultura?’, da Coleção Primeiros Passos).Verbete sobre Cindy Sherman do livro “Mulheres Artistas”(Taschen)

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Aula 20 – Videoarte e Vídeo-instalação

Texto:  “Imagens em movimento” (do livro “Video Art”, de Sylvia Martin)

Outra vertente fundamental que surge no final dos anos 60 é a que dialoga com o vídeo, sob a forma de exibições do tipo single channel (Videoarte) ou como parte de instalações (videoinstalações). Dentre os pioneiros do primeiro grupo, temos o coreano Nam June Paik (com seu Global groove, de 1973, considerado por muitos como um equivalente videográfico do Cidadão Kane, guardadas as devidas proporções), e os norte-americanos Dara Birnbaum e Bill Viola, a suíça Pipilotti Rist, a brasileira Letícia Parente, entre outros.

Abaixo, quatro clássicos da videoarte: um trecho de Global Groove (Nam June Paik, 1973), The reflecting pool (1977), de Bill Viola, Technology Transformation: Wonder Woman (1978), de Dara Birnbaum,  e I’m not the girl who misses much (Pipilotti Rist, 1986).




 

 

 

Também iremos ver alguns vídeos de Letícia Parente, realizados nos anos 70.

No campo da videoinstalação, além de Paik, podemos citar Bruce Nauman, com suas obras Corredor de vídeo gravado ao vivo (Live-taped Video Recorder, 1970) e Obra de vídeo para vigilância (sala pública, sala privada) (Video Surveillance Piece (Public Room, Private Room), 1969-70).


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AULA 19 – O surgimento da arte contemporânea no final dos anos 60: Arte conceitual, Instalação, Land Art, Intervenção urbana e outras relações entre arte e paisagem

Textos: Verbetes da Enciclopédia Itaú Artes Visuais: “Op art”, “Minimalismo”, “Arte conceitual”, “Land Art” e “Instalação”. Verbete sobre “Yoko Ono”, do livro “Mulheres Artistas” (Taschen)

 

A valorização do conceito, mais que do fazer, dá origem ao que se conheceria como Arte Conceitual, num resgate das ideias de Duchamp na primeira metade do século sobre o fazer artístico. Dentre os artistas que se destacam no período, temos o grupo Fluxus, de onde surgiriam dois nomes centrais das artes nos últimos 50 anos: o alemão Joseph Beuys e a  japonesa Yoko Ono.

Joseph Beuys, ‘The Silence,’ 1973. (Cinco rolos de negativo 35 mm, galvanizados)

Joseph Beuys, “I like America and America Likes me”, performance realizada em 1974

Performance “Como explicar uma obra de arte para uma lebre morta?”, de Joseph Beuys

A arte passa a ser reconhecida como um conjunto de proposições estéticas endereçadas ao público, e o conceito e o processo em si acabam sendo mais importantes do que o produto final.

Grapefruit (Yoko Ono) livro de propostas artísticas inspirado no zen budismo

Trecho de Grapefruit

A árvore dos desejos, de Yoko Ono

Também podemos pensar como exemplo de arte conceitual, no campo da música, a peça 4’33”, de John Cage, uma profunda reflexão sobre o silêncio e seus ruídos, a preencher os espaços vividos.

Para dar conta dessas novas propostas, uma série de modalidades artísticas surgem, como a Performance, o Happening, a Instalação, os Site Specifics e as Intervenções Urbanas. Mesmo modalidades ditos tradicionais, como a escultura, foram reinventados, como podemos ver neste trabalho abaixo, de Anish Kapoor, numa curiosa releitura do conceito de arte pública e de paisagem urbana:

No Espírito Santo, o marco inicial da arte contemporânea é a proposta de intervenção urbana do então jovem artista (19 anos) Nenna: “Estilingue”, de 1971.

O estilingue do capixaba Nenna, na Praia do Canto, em 1971

Nesse contexto, a Land Art surge como um movimento que trabalha a intervenção direta do artista na paisagem natural, como os trabalhos de Michael Heizer, Robert Smithson e da dupla (casal) Christo e Jeanne-Marie, literalmente “embrulhando” prédios públicos e intervindo em parques e recifes de coral.

Double negative, de Michael Heizer

Double negative, de Michael Heizer (vista aérea)

Quebra-mar em espiral (Spiral Jetty), obra de Robert Smithson executada em Salt Lake, 1970

Vista aérea do Spiral Jetty

Textos estudados: capítulo introdutório do livro “Performance nas artes visuais”, de Regina Melim; Verbete “Yoko Ono”, do livro Mulheres Artistas (Uta Grosenick); matéria sobre Anish Kapoor publicada na Veja; matéria sobre Christo e Jeanne-Marie, publicada na Bravo!

O Reichstag, “embrulhado” por Christo e Jeanne-Marie em 1994

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Aulas 17 e 18 – O Brasil nos anos 60: cultura pop, MPB engajada, Tropicalismo, Cinema Novo e Cinema Marginal

Cláudio Tozzi e a “pop art” de protesto brasileira

A pintura de crítica social de Rubens Gerchmann

Na década de 60, uma série de transformações sociais e políticas repercutem na efervescente produção cultural brasileira do período. De um lado, o surgimento de uma cultura de massa jovem, marcada pela ascensão de ídolos pop como Simonal e Jorge Ben, além do “rei” Roberto Carlos e do movimento da Jovem Guarda.

Wilson Simonal, o primeiro popstar negro do Brasil

A Jovem Guarda do “rei” Roberto

Do outro, uma forte politização no discurso artístico, tanto na MPB (a geração de protesto e dos grandes festivais, o resgate do samba de raiz e do choro, a maturidade da bossa nova), na pintura (pop art), no cinema (o cunho social da revolução estética proposta pelo Cinema Novo e a irreverência e o experimentalismo iconoclástico do Cinema Marginal), na literatura…

O cinema novo de Glauber Rocha

O cinema marginal de Rogério Sganzerla

Dialogando com a produção pop de vanguarda mundial (ou seja, a pop art norte-americana, a contracultura e as experimentações da música psicodélica, que inclusive atingiriam grandes públicos através de conjuntos como os Beatles), e retomando alguns aspectos do Modernismo brasileiro da Semana de 22 (como o hibridismo entre tradição e contemporaneidade, ou a pressão pela dissolução de fronteiras entre cultura popular, erudita e de massa), surge um movimento que deixa marcas fortíssimas na música popular e nas artes visuais (em especial no trabalho de Hélio Oiticica) do período: o Tropicalismo.

O clássico slogan da bandeira de Hélio Oiticica

Aliás, o tropicalismo musical mudaria totalmente a face da música brasileira nas décadas seguintes. Da geração de Caetano, Gil, Gal, Tomzé, Os Mutantes, até uma vasta gama de herdeiros, como os Novos Baianos, os Secos e Molhados, Raul Seixas, a black music tipicamente brasileira da década de 70, o Clube da Esquina, a geração nordestina setentista e tantos outros nomes…

Textos: “Tropicalismo” (Ana de Oliveira) e verbetes sobre “Cinema Novo” e “Cinema Marginal” (site Infoescola). Listas: “Os 100 maiores discos da música brasileira” e “As 100 maiores músicas brasileiras” (da revista Rolling Stone)

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AULAS 15 e 16 – Os beatniks e o nascimento da contracultura. A revolução Cultural. Pop art e cultura de consumo.

Textos:

Aula 15: “Beatniks: Os filhos da grande depressão” (texto publicado na Gazeta Mercantil) e “Revolução Cultural” (Eric Hobsbawm, do livro “A era dos extremos”). Para leitura complementar, sugiro “A linguagem dos cabelos compridos” (Pier Paolo Pasolini)

Aula 16: “Arte pop” (trechos do livro de David McCarthy) 

Um dos momentos culturais mais marcantes da virada dos anos 50 pros anos 60 está no inconformismo do personagem Holden Caufield, protagonista de O apanhador no campo de centeio, romance do norte-americano J.D. Salinger (1951), anti-herói que simboliza toda uma idéia de rebeldia juvenil que dialoga diretamente com o nascimento do rock’n’roll, no final da década de 50.

Confira um trecho de O apanhador no campo de centeio aqui. E uma ótima resenha sobre o livro de Salinger, publicada no site Scream&Yell, você lê neste link.

Liberdade, necessidade de correr mundo, errância. O corpo que vaga, aberto a novas experiências (inclusive sensoriais, alucinógenas, sexuais, políticas e místicas) e valores,  foi um dos pontos de partida para a literatura Beatnik dos anos 50, em autores como o poeta Allen Ginsberg e o romancista Jack Kerouac, autor do seminal On the road (Pé na estrada), livro publicado em 1959. O movimento Beatnik, flertando com a marginalidade e criticando radicalmente o american way of life em plena era de caça às bruxas do período macarthista (além de propor um estilo de vida radicalmente alternativo para sua época), e que influenciaria fortemente a contracultura contestatória da década seguinte.Vale destacar o uso de uma linguagem fortemente coloquial, sem pompas, em tom muitas vezes confessional, inconformista e deliciosamente inconsequente, bastante característica da juventude de sua época.

Quer saber mais sobre o livro de Kerouac? Uma boa resenha encontra-se aqui.

Com esses autores e seus estilos de vida alternativos ao american way of life, populariza-se a ideia de contracultura, como uma espécie de poder jovem subversivo, que vai surgir primeiramente na cultura beatnik dos anos 50 e explodir massivamente no movimento hippie dos anos 60.

Por outro lado, a ascensão de uma cultura global de consumo, de caráter massivo, marca o conjunto de transformações sociais do pós-guerra. No novo contexto mundial que emerge, as artes também passarão por uma reconfiguração, menos calcada em valores da modernidade até então vigentes e mais voltados a novas experimentações estéticas, que dialoguem, ora de forma entusiasmada, ora de forma bastante crítica e ácida com uma cultura de consumo que absorve a tudo, até ao que a ela resiste, como as contraculturas. Exemplo disso está no texto do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini, que mostra como o capitalismo sempre se apropria dos signos de rebeldia e contestação, mudando seu sentido para algo mais voltado à lógica do consumo (como os cabelos compridos dos hippies, por exemplo).

O surgimento da pop art e sua expansão dentre os artistas norte-americanos, no final dos anos 50 e na década de 60, além de assumir-se como uma resposta à exarcebação do gesto e do emocional proposto pelo expressionismo abstrato,  e à frieza industrial do minimalismo, coloca uma questão até então inédita no contexto das artes visuais: a ambígua relação entre experiência estética e cultura de consumo. De certa forma, a pop art seria o equivalente estético do contexto da nascente Revolução Cultural   que o historiador Eric Hobsbawm identifica a partir do pós-guerra.

roy lichtenstein

Apropriando-se do imaginário da sociedade de consumo que se instala no ocidente a partir do final da Segunda Guerra, em especial as benesses vendidas pela publicidade, as celebridades midiáticas e as experiências oriundas do cinema, da cultura pop e da televisão, essa corrente artística (que revelou nomes como Lichtenstein e Warhol) ressiginificava uma série de elementos e conceitos até então vigentes nas artes visuais – vide as paisagens urbanas/midiáticas, as ruas repletas de outdoors e automóveis luxuosos, as intermináveis prateleiras de supermercado, todas essas substituindo as pinturas de paisagens tradicionais; ou ainda as naturezas-mortas do pós-guerra, repletas de produtos industrializados e colagens de réplicas sintéticas dos alimentos outrora retratados nas tradicionais pinturas dos séculos anteriores.

A apropriação da lógica industrial de reprodução de imagens (como o silk-screen, por exemplo), ou de estéticas pop industriais (quadrinhos, programas de tv, anúncios publicitários, estrelas do cinema e da música) assume-se como uma então inusitada recriação da idéia de ready-made duchampiano, bem como recoloca o questionamento sobre o ofício do artista e dos limites da arte sob uma nova perspectiva.

Ao mesmo tempo apologia e crítica sobre a lógica de consumo e de seus prazeres prometidos, o movimento artístico se situava numa ambígua posição, repleta de ironia e questionamento.

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Aula 14 – A modernidade brasileira nos anos 50

50 anos em 5 – o slogan de JK, que traduziu um certo espírito otimista decorrente da industrialização brasileira da segunda metade da década de 50 e começo dos anos 60, marca o início de um amplo processo nacional de urbanização que atravessará as décadas seguintes.

Em termos estéticos, essa urbanidade irá se traduzir na ampliação das propostas artísticas da modernidade, em especial trazendo ao Brasil um diálogo direto com as correntes e questões que norteavam a produção mundial no mesmo período.

A poesia concreta de Décio Pignatari

No âmbito formalista, destacam-se a arquitetura de Oscar Niemeyer (principalmente para a recém-inaugurada Brasília), bem como a visualidade inovadora da poesia concreta dos irmãos Campos e de Décio Pignatari. Nas artes visuais, movimentos que dialogavam com a abstração geométrica (Concretismo e Neo-concretismo, principalmente) revelavam uma série de nomes que colocariam o Brasil pela primeira vez no cenário internacional das artes: Amílcar de Castro, Frans Weissmann, Lygia Pape, Lygia Clark e Hélio Oiticica, entre outros (inclua-se nessa lista o capixaba Dionísio Del Santo).

Os “bichos” de Lygia Clark

Embalagens de biscoito desenhadas por Lygia Pape

Outras experimentações de linguagem marcam a terceira geração modernista da literatura, como Clarice Lispector (que estréia em 1943, com o surpreendente romance Perto do coração selvagem, mais bem-sucedida experiência com os fluxos de consciência na literatura brasileira até então), Guimarães Rosa (que em 1956 publicaria Grande sertão: veredas, verdadeiro marco no romance brasileiro, ao mesclar a prosa regionalista e uma sofisticada criação de neologismos, numa complexa e intrincada narrativa que se assume o tempo todo como jogo) e a poesia de João Cabral de Melo Neto.

Clarice Lispector

Na dramaturgia, o destaque vai para Nelson Rodrigues, com suas polêmicas peças, retratando os dilemas morais da classe média urbana carioca do período (Álbum de família,Vestido de noiva, Bonitinha mas ordinária, O beijo no asfalto, Toda nudez será castigada, entre outras).

Chega de Saudade (1959), de João Gilberto

O Rio de Janeiro também é cenário de uma outra revolução na música popular brasileira, em contraposição à poética dramática do samba-canção: é com o vocal sussurado e intimista de João Gilberto, no histórico disco Chega de saudade que vêm a público os primeiros acordes da bossa-nova, essa sofisticada mistura de samba e jazz, com suas melodias marcantes e harmonias complexas, com letras de suave melancolia.Outro nome central do movimento é o cantor e compositor Antônio Carlos Jobim.

Tom Jobim

Para a proposta inovadora da jovem Bossa, uma contraparte visual se faz necessária. É o que apresentará a gravadora Elenco, com suas capas minimalistas, nas cores preto e branco (com estratégicos detalhes vermelhos), inaugurando uma nova era não só no mercado fonográfico brasileiro, mas também no nascente campo do design gráfico nacional.

Textos estudados:“Da bossa nova à tropicália” (Santuza Cambraia Naves); verbetes “Oscar Niemeyer” (reportagem do Estadão), “Neo-concretismo” (Itaú Cultural) e “Poesia concreta”.

Leituras complementares: “Amor” (Clarice Lispector) e “Desenredo” (Guimarães Rosa)

Textos complementares: “Desenredo” (conto de Guimarães Rosa), “Amor” (conto de Clarice Lispector)

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Aula 13 – Vanguardas tardias do pós-guerra

Textos: “Resenha do filme Meshes of the Afternoon”(Fábio Visnadi), “Len Lye” (Letícia Salim Bathomarco), “Expressionismo Abstrato” (Enciclopédia Itaú – Artes Visuais), “Móbiles”(Enciclopédia Itaú – Artes Visuais) e verbetes biográficos sobre Yves Klein (Wikipédia) e Merce Cunningham.

O período que vai do final dos anos 40 até a ascensão da Pop Art (começo dos anos 60) é marcado por uma série de experiências que ampliam as propostas modernistas da primeira metade do século XX.

De certa maneira, a proximidade com a (então recente) experiência da guerra, marcada pela ausência e pelo vazio frente ao horror da extrema violência, trazia uma série de questões para o debate estético, que foram traduzidas de diversas formas em cada modalidade artística.

Na pintura, temos as propostas neodadaístas de Yves Klein, seja em sua pintura monocromática (utilizando o International Klein Blue, cor que ele mesmo patenteou), ou em performances como o célebre “Salto no vazio”.

O Salto no Vazio (Le saut dans le vide), fotomontagem performática de Yves Klein

Aliás, a valorização do gesto corporal surge como uma possível saída nesse processo de construção de novos sentidos estéticos, em especial na produção norte-americana (afinal, o período testemunha a mudança do centro vanguardista ocidental, da Europa para Nova Iorque): seja a pintura do Expressionismo Abstrato de Pollock ou Rothko, a improvisação no jazz, as coreografias de Merce Cunningham, os filmes experimentais da cineasta Maya Deren (associada a uma companhia de dança).

Se, em alguns casos, a crítica de arte modernista passa, a partir daí, a trabalhar com um discurso muitas vezes formalista, por outro lado, essa valorização do gesto do artista se traduz como uma espécie de vontade de liberdade, um querer deixar um rastro num mundo, como se fosse o primeiro rabisco numa página branca, prestes a ser preenchida por novos significados, ainda a serem construídos.

Merce Cunningham Dance Company – “Beach Birds”
Maya Deren- “Meshes in the afternoon” (1943)
Também fazem parte desse panorama as animações diretas na película de Len Lye; as pinturas gigantescas que o espanhol Joan Miró passa a produzir, depois de ter contato com a pintura de Pollock e companhia; os móbiles de Alexander Calder, inspirados em Miró; e as esculturas cinéticas do brasileiro Abraham Palatnik e do venezuelano Carlos Cruz-Diez.
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